Salvador: missigenação e calor humano

Turismo » Bahia, Salvador | Fonte: Conhecendo o Brasil, Editoria Férias Brasil
A mistura de raças, culturas e credos, que recebeu doses generosas de alegria e sincretismo, conferiu a Salvador um astral único e arretado que atrai brasileiros e estrangeiros o ano inteiro. É no verão, entretanto, que a capital baiana ganha ainda mais brilho, com as festas populares que arrastam multidões atrás de imagens religiosas e, claro, dos trios elétricos. De dezembro até o Carnaval, são muitos os homenageados – do Senhor do Bonfim ao Rei Momo. Fiéis e foliões agradecem!

Pelourinho

Nenhum outro lugar reflete tão bem a alma da Bahia quanto o Pelourinho. Considerado Patrimônio da Humanidade pela Unesco, o bairro na Cidade Alta, tem mais de 800 casarões dos séculos 17 e 18. Vielas, ladeiras e largos concentram igrejas, museus, restaurantes, lojas e um vaivém de gente de Salvador, do Brasil e do mundo.

O bairro histórico merece uma visita, em especial às terças-feiras. Nestes dias, além de bater perna sem pressa, em busca da história, das riquezas arquitetônicas e do artesanato, os visitantes podem assistir uma missa ao som de batuque na igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, às 18h. O agito continua com shows na Escadaria do Passo e no Terreiro de Jesus. No verão, tem ainda apresentações do Olodum.

Igreja do Bonfim

A igreja do Senhor do Bonfim não é a mais bonita, mas com certeza, é a mais famosa de Salvador em função da tradicional “Lavagem do Bonfim”, comemoração marcada pelas baianas jogando água nos degraus do templo em uma festa que dura o dia inteiro, animada por blocos de afoxé. Concluída em 1772, a igreja tem fachada em estilo rococó coberta de azulejos portugueses do século 19. A decoração do interior é neoclássica, destacando-se a pintura do forro da nave feita por Antônio Joaquim Franco Velasco; e os painéis da sacristia e dos corredores laterais de autoria de José Teófilo de Jesus. No altar-mor, impressiona a imagem de Cristo trazida de Portugal em meados do século 18.

Elevador Lacerda

A maneira mais original de circular entre a Cidade Alta e a Cidade Baixa é através do Elevador Lacerda, um dos marcos da capital baiana inaugurado em 1872. Com 72 metros de altura, liga a Praça Tomé de Souza (parte alta) à Praça Cairu, onde fica o Mercado Modelo. Restaurado em 2002, ganhou nova iluminação noturna e janelas panorâmicas que descortinam o cais e o mercado. São quatro cabines, sendo que a 1 e a 2 são originais, utilizadas desde a inauguração. As de número 3 e 4 são da obra de 1930, quando a construção ganhou feições art déco. As viagens duram cerca de 30 segundos e transportam uma média de 20 mil pessoas por dia.

Igreja e Convento de São Francisco

Centenas de quilos de ouro enchem de brilho os altares da igreja mais rica do país. Considerado um dos mais extraordinários monumentos do barroco mundial, o templo de São Francisco, erguido em 1723, tem ainda balaustradas em jacarandá negro, pinturas ilusionistas e uma bela imagem de São Pedro de Alcântara. O convento, que faz parte do complexo, tem o pátio interno com paredes revestidas de azulejos portugueses que reproduzem o nascimento de São Francisco e sua renúncia aos bens materiais

Festas religiosas

De dezembro a fevereiro, Salvador ganha a energia das festas religiosas. Conhecidas como Festas de Largo, reúnem missas, procissões e muita animação. A temporada é aberta com os festejos à Santa Bárbara, que tem como ponto alto a distribuição de caruru – guisado de quiabo e camarão. Já a Lavagem do Bonfim arrasta uma multidão atrás das baianas que banham com água-de-cheiro as escadarias do templo. As festividades se encerram no Dia de Iemanjá, um pré-Carnaval que toma conta das ruas do Rio Vermelho logo após a entrega das oferendas à rainha do mar.

Noite no Rio Vermelho com acarajé

Salvador tem uma barraquinha de acarajé em cada esquina, mas para experimentar os quitutes preparados pelas baianas mais famosas da capital siga para o bairro do Rio Vermelho. No Largo de Santana, Dinha e Regina demarcaram seus territórios, reunindo turistas e soteropolitanos que têm por sua baiana favorita a mesma paixão que carregam por seus times do coração. Além de degustar a iguaria à base de vatapá e camarão seco, aproveite para curtir o bairro que virou point noturno de Salvador, com bares animados e restaurantes descolados. Para os fãs de um pé-sujo, tem até mercado popular servindo de moqueca a feijoada a qualquer hora do dia ou da noite.